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Edicão n° 220 de Outubro 2021


Agência Brasil explica as vacinas contra covid-19 usadas no Brasil
20/07/2021

Seis meses depois da primeira dose de vacina contra covid-19 aplicada no país, em 17
de janeiro, os benefícios da vacinação no combate à pandemia são claros em hospitais
do Sistema Único de Saúde (SUS), e, pela primeira vez desde dezembro de 2020,
nenhum estado brasileiro está com mais de 90% dos leitos de unidade de terapia
intensiva ocupados. A proteção conferida pelas vacinas já tinha sido observada quando o
percentual de idosos em relação ao total de internados caiu após a vacinação dessa faixa
etária, e o cenário atual confirma novamente que as vacinas produzem níveis elevados
de proteção contra casos graves da doença, que já matou mais de 500 mil pessoas no
país.

Os mais de 82 milhões de brasileiros que receberam ao menos uma dose tiveram seus
sistemas imunológicos estimulados por três diferentes tecnologias - duas delas inéditas
em campanhas de vacinação no país e no mundo até a pandemia. A Agência Brasil
explica as diferenças entre CoronaVac, AstraZeneca, Pfizer e Janssen, e por que todas
são consideradas seguras e eficazes para se proteger da covid-19.

Todas protegem contra casos graves
Apesar dos mal compreendidos percentuais de eficácia de cada uma dessas vacinas, a
diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Mônica Levi, explica que as
quatro foram submetidas a rigorosos protocolos de testagem, com resultados checados
por agências reguladoras de credibilidade reconhecida, como a Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa). O processo de desenvolvimento de uma vacina inclui testes
em laboratório e três etapas de testes em humanos, envolvendo milhares de voluntários,
e os resultados são analisados pela comunidade científica e por órgãos reguladores de
diferentes países.

Diante disso, a médica ressalta que recusar uma vacina específica ou atrasar a aplicação
para esperar outra vacina são decisões que não fazem sentido e ameaçam a saúde
individual e coletiva.

“Qualquer um de nós pode ter uma forma grave e pode ir a óbito. Não dá para negar
uma vacina que vai te proteger principalmente desses desfechos. Todas as vacinas
utilizadas no país estão mostrando efetividade para formas graves e para mortes, o que,
nesse momento, é o que a gente mais se preocupa. Esse é o objetivo principal, e todas
estão cumprindo o seu papel”, afirma a diretora da SBIm. “A escolha de recusar e
adoecer não é só sua. Você vai fazer outros adoecerem também.”

Vacina eficaz
Mônica Levi desmistifica a taxa de eficácia da CoronaVac, cuja interpretação errada tem
levado pessoas a preferirem outras vacinas e até a recusarem a vacinação. Segundo
estudos de fase 3 realizados pelo Butantan, a vacina tem eficácia de 50,38% contra
infecções do SARS-CoV-2. O percentual pode parecer baixo frente a imunizantes que
tiveram mais de 90% de eficácia na fase três, mas os mesmos estudos conduzidos pelo
instituto paulista também mostraram que a vacina protegeu 100% dos voluntários
contra casos graves e teve uma eficácia de 78% contra casos leves de covid-19. A
proteção da vacina "no mundo real", chamada de efetividade, foi confirmada pelo estudo
realizado em Serrana, em que a aplicação em massa da CoronaVac fez os casos
sintomáticos de covid-19 caírem 80%, as internações, 86%, e as mortes, 95%.

A diretora da SBIm explica que o percentual que resulta dos estudos clínicos de fase 3
não pode ser usado para classificar as vacinas, porque o número também sofre impacto
do desenho desses estudos, como os critérios para a testagem dos voluntários e o perfil
da população analisada. Como os testes clínicos da vacina no Brasil tiveram como
principal público os profissionais de saúde da linha de frente na pandemia, ela explica
que é natural que o percentual de eficácia calculado tenha sido menor que o de outros
imunizantes, já que seus voluntários estavam mais expostos.

“Se você pega um grupo de 100 pessoas que todos os dias estão em contato com a
covid-19, e um grupo de 100 pessoas que estão mantendo distanciamento em casa,
obviamente o grupo que está mais exposto vai ter índices maiores de infecção,
independentemente de que vacina for”, afirma a pesquisadora, que exemplifica que
testes em diferentes países chegaram a percentuais diferentes para as mesma vacinas
porque, além disso, há diferenças de contexto epidemiológico, faixas etárias pesquisadas
e comportamento da população estudada.

Fonte: Agência Brasil






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