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Edicão n° 209 de Novembro 2020


Governo anuncia ajustes no modelo de Distanciamento Controlado
12/06/2020

Com o objetivo de reduzir os riscos de esgotamento do sistema de saúde, garantir maior
segurança aos gaúchos, e aumentar a aderência às medidas de enfrentamento ao
coronavírus, o governo do Estado anunciou, nesta quinta-feira (11/6), ajustes no
modelo de Distanciamento Controlado.

A estratégia, implementada no dia 10 de maio em todo o Rio Grande do Sul, utiliza-se
de evidências científicas e análise de dados para definir níveis de riscos (traduzidos em
bandeiras) e aplicar restrições na proporção, momento e local em que forem
necessárias, com protocolos para cada atividade econômica conforme a região.

“Estamos agora na quinta semana do Distanciamento Controlado. É um modelo inédito,
totalmente inovador, que faz essa conciliação da prioridade de preservação à vida com a
retomada econômica responsável. Era um modelo teórico, obviamente. A partir da
observação de como se comportou na prática, foram definidas algumas alterações,
sugeridas pelos membros do Comitê de Dados”, disse o governador Eduardo Leite na
transmissão por rede social nesta quinta-feira (11/6).

“O modelo vai ficar mais sensível a mudanças, para que possamos dar mais segurança
para atendimento hospitalar no futuro”, acrescentou.

Conforme a coordenadora do Comitê de Dados, vinculado ao Gabinete de Crise, Leany
Lemos, os ajustes são fruto do monitoramento diário feito pelas equipes técnicas que
estão trabalhando no Distanciamento Controlado e de sugestões de especialistas em
saúde, tendo sido amplamente discutidos nas reuniões dos grupos técnicos e validadas
pelo Conselho de Especialistas, para então serem efetivados.

“Esse processo foi construído com muito diálogo, transparência e é fruto de um intensivo
monitoramento, pelas nossas equipes multidisciplinares, não só das bandeiras semanais,
mas de dados diários e de projeções que são elaboradas pelo menos a cada 15 dias”,
apontou Leany.

Foram feitos três conjuntos de ajustes (veja detalhamento ao final do texto):

1) mudança no ponto de corte de sete indicadores;
2) alteração em indicadores;
3) modificação e adoção de dois gatilhos de segurança.

“A grande intenção é conseguir anteceder um colapso, quando estoura a capacidade de
leitos de UTI e a probabilidade de óbitos é muito maior. Queremos antecipar algo que
pode acontecer, que aconteceu no mundo e em outros Estados. Por isso, estamos
aperfeiçoando agora, e seguiremos aprimorando sempre que for necessário”, afirmou
Pedro Zuanazzi, diretor do Departamento de Economia e Estatística (DEE).

O governador ressaltou que as mudanças que estão sendo adotadas – já serão
consideradas na rodada deste sábado (13/6) – não teriam alterado a cor das bandeiras
finais das regiões nas últimas semanas. Mas os indicadores atuais indicam que devem
mudar nas próximas.

“Não comprometeu a segurança até aqui, mas, daqui para frente, entendemos que
temos de ter maior estreitamento para mudanças de bandeiras, para que a gente possa
capturar essas inflexões de curva nas internações e agir no momento em que se fizer
necessário, com mais restrições, para evitar que haja uma perda de controle”, destacou
Leite.

Por fim, o governador reforçou o pedido para que toda a população permaneça atenta
aos protocolos e determinações, porque a pandemia oferece sérios riscos.

“Precisamos da sociedade gaúcha engajada no modelo do Distanciamento Controlado.
Isso significa respeitar os protocolos da bandeira da sua região, usar máscara, fazer
higienização constante e dispor de EPIs, porque se não houver respeito aos protocolos,
vai haver aumento de casos, e havendo isso, as bandeiras vão migrar para mais
restrições. Não queremos isso, mas não está nas mãos do governo. Está nas mãos da
sociedade gaúcha. Por isso que precisamos do engajamento de todos. Não é volta ao
normal, não é flexibilização, ainda estamos distantes de uma volta à normalidade”, disse
Leite.

VEJA O QUE MUDA NO DISTANCIAMENTO CONTROLADO

1. Mudança no ponto de corte de indicadores por tipo de medida:
O objetivo é reforçar a antecipação dos efeitos da pandemia e a segurança da
população. Com base em diversas simulações de cenários, percebeu-se que as bandeiras
estavam demorando muito para sinalizar piora de indicadores. Para alcançar essa
antecedência, foi preciso um novo olhar. Assim, os pontos de corte se tornam mais
estreitos e refletem melhor a realidade, conferindo maior segurança ao modelo, que se
torna mais sensível a mudanças para garantir o atendimento no futuro. As mudanças
serão feitas nos pontos de corte dos indicadores, como velocidade do avanço da doença,
incidências de novos casos e mudança da capacidade de atendimento.

2. Alteração nos indicadores de óbito por Covid-19, Ativos/Recuperados e número de
leitos de UTI livres (Macrorregião e Estado)

• Projeção de óbitos:
O indicador de óbitos por Covid-19 a cada 100 mil habitantes mostra a evolução da
doença com defasagem, uma vez que um óbito reflete o adoecimento de semanas atrás.
O indicador é válido para mostrar a realidade atual, mas não antecipa, e o objetivo do
Distanciamento Controlado é também prever deterioração, de modo que medidas
possam ser tomadas com antecedência para que as UTIs não cheguem ao limite de
atendimento.

Sendo assim, o cálculo deixa de utilizar o número de óbitos ocorridos na semana de
referência e passa a utilizar projeções para os próximos 14 dias, com base na variação
de pacientes confirmados para Covid-19 em leitos de UTI e no número de óbitos
acumulados na semana de referência.

• Indicador de Ativos/Recuperados:
O indicador de Estágio da Evolução passa a considerar todos os casos ativos na semana
de referência em relação aos recuperados nos 50 dias anteriores ao início da semana. Ao
considerar um período maior de tempo, amenizam-se os efeitos da defasagem entre a
data do início dos sintomas e a inclusão dos casos confirmados.

• Razão de ocupação de leitos de UTI por Covid-19:
A capacidade de atendimento passa a ser avaliada com base na razão entre a
quantidade de leitos de UTI livres e o número de leitos de UTI ocupados por pacientes
confirmados para Covid-19. A proposta vale para os indicadores que avaliam a
capacidade do Estado e das macrorregiões, que antes levava em consideração o número
de leitos de UTI livres para Covid-19 para cada 100 mil idosos.

3. Gatilhos de segurança
• Redução de cinco para três hospitalizações registradas nos últimos 14 dias na trava
para deixar a bandeira da semana anterior:
A mudança torna a redução de bandeira mais cautelosa. A partir deste sábado (13/6), o
máximo de casos novos de hospitalização por Covid-19 que a região poderá observar
para conseguir reduzir a bandeira é de três. Antes, o limite era cinco novas
hospitalizações nos últimos 14 dias.
• Regra das bandeiras preta e vermelha:
Se uma região atingir bandeira final vermelha ou bandeira preta, será preciso duas
semanas consecutivas com bandeiras menos graves para que a região possa obter
redução na classificação de risco. Isso trará maior segurança para caracterizar a efetiva
melhora nas condições de uma região.






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